terça-feira, 17 de março de 2009


Eu já estou cansado de descobrir as coisas e meus vinte e quatro anos representam a própria eternidade diante da vida. A fossa existencial é uma constante, e não já alternativa de fuga, pois os momentos são os momentos e a felicidade – já está claro – não existe em tempo eterno!! “Há um tempo para o peixe e um tempo para o pássaro”, já disse o poeta baseado em dizeres de filósofos antigos, mas a verdade é a verdade e está colada à minha retina exausta. Há um momento feliz e um infeliz. A partir do instante em que a fase feliz entra em minha vida, eu já vivo à espera do próximo instante desagradável e fico imaginando como virá, oriundo de quê, da vida sim, mas sob que forma, em fim, uma série de imagens antes do fato em si. Aí permaneço no momento feliz tendo o conhecimento profundo de que este momento feliz não deve ser vivido com a felicidade que exala dele. Não há como um cérebro, que jamais deixa de examinar todos os instantes que advirão, possa deixar-se levar por um ínfimo instante de felicidade, quando os problemas não foram solucionados em suas bases. Aí eu penso: como viver o momento presente se o futuro não me deixa dormir sossegado? Bem que eu gostaria de não saber de nada, de não entender as coisas tão profundamente ao ponto de fazer uma energia nociva ao meu mundo já agitado por si só! Mas, na verdade, eu gosto de saber das coisas por antecipação, mas este saber antecipado me cansa, deixa postado diante das portas fechadas que eu já sabia que não iriam se abrir para mim!! Minha existência caminha muitos anos à frente do meu corpo, e é justamente meu corpo frágil, magro, esquálido e desprovido de reservas de energia que tem que suportar as demandas da mente atribulada, terrivelmente neurotizada pela civilização

Raul Seixas

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